Sentimentos escuros e profundos
- Janaína Liz Aquino
- 6 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de mai.

Existem momentos em que nos deparamos com processos emocionais que confrontam a nossa zona de conforto, por serem desconhecidos e nos raptarem da rotina que estamos adaptados. Há lugares da psique humana que possuem maior carga emocional, densidade, toxidade, rigidez e pouco oxigênio, isto é, sentimentos escuros e profundos.
Muitas vezes durante o caminhar na vida, de repente, nos deparamos com a travessia desses lugares dentro de nós e a forma que estamos acostumados a lidar com as coisas não nos serve mais, pois estamos diante de outra atmosfera com uma dinâmica própria.
O funcionamento da tristeza, da melancolia, do luto, do pânico, da paranoia, da ansiedade, da angústia, do vazio... Entre outros sentimentos difíceis, em um primeiro momento nos parecem desconhecidos, mas aos poucos vamos compreendendo que eles possuem um papel natural em nossa constituição psíquica. Assim como quando apagamos a luz de algum ambiente nossos olhos demoram para se acostumar com a penumbra, assim também ocorre quando internamente essas luzes são apagadas e nos deparamos com esses ambientes escuros dentro de nós.
As pessoas chamam esses mecanismos de diferentes nomes, ao longo da história esses estados e lugares internos foram nomeados e significados por diversas culturas. No fundo, todas observavam o mesmo movimento: uma descida ao inferno, uma regressão da libido psíquica, correntes dos mares interiores nos puxando para dentro... As imagens são diversas! Mas a informação principal é quase sempre a mesma, a energia psíquica não está mais disponível para o mundo externo, foi recolhida para dentro, para as profundezas do mundo interior... E esse movimento pode ocorrer de diferentes maneiras.
A nossa cultura, com conceitos tão específicos de iluminação, produtividade e imediatismo, não nos autoriza a viver tais travessias, pois se abrir para esses processos emocionais é fazer um trabalho não remunerado pelo sistema econômico externo. Entretanto, se torna um trabalho de extrema importância para a regulação homeostática do nosso sistema psíquico. Sem a abertura e o espaço para podermos sofrer não será possível transformar nossa dor, não há como curar aquilo que não podemos sentir.
Se faz então necessário reconhecer, respeitar, escutar, acolher e cuidar desses processos, ao se permitir sentir e, assim, elaborar e refletir o conteúdo psíquico denso. A ajuda profissional é imprescindível neste momento, você não precisa se colocar na situação de fazer essa travessia sozinho ou sozinha. O importante é prestar atenção e levar a sério a saúde mental, pois ela determina sua qualidade de vida.



