Você possui consciência de sua respiração?
- Janaína Liz Aquino
- 4 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de mai.

A nossa respiração ocorre como um mecanismo natural de forma constante e inconsciente, assim como várias outras funções do nosso organismo. Entretanto, quando voluntariamente prestamos atenção e participamos desse movimento fisiológico, o acompanhando com a concentração mental, nos beneficiamos da ativação de nosso sistema parassimpático. O que auxilia a acalmar e equilibrar o funcionamento psicofisiológico, nos facilitando o que em psicologia chamamos de integração psicofísica. Isto é, a harmonização entre mente, corpo, emoções e espirito.
Treinar o foco mental através da observação da respiração e do desenvolvimento da expansão pulmonar nos proporciona tanto a eliminação mais eficaz de gás carbono do corpo, diminuindo seus resíduos no sangue, como também a sintonizar o ritmo respiratório com um estado de calma psíquica. Essa sabedoria ancestral se torna essencial para lidarmos com nossa humanidade, a consciência da respiração nos serve como ferramenta na regulação do sistema nervoso, que está a nossa disposição o tempo todo.
Exercitar e aguçar a percepção do fluxo respiratório, do ar que entra e sai de nossas narinas, se atentando a temperatura, velocidade, sensações, tempos, limites de expansão pulmonar e de retenção do ar fora do pulmão, nos permite praticar um foco mental. Mas diferente de outas atividades que podemos executar ao longo de nossa rotina, essa facilita a descompressão emocional, a distensão muscular, a diminuição da frequência cardíaca e de níveis de estresses no organismo. Ou seja, promove o reestabelecimento de nossa homeostase.
Essa simples conexão com o corpo nos possibilita desenvolver uma âncora atencional, a qual, a depender do fortalecimento da prática, se torna acessível em momentos aflitivos de nossa mente. Nos proporcionando uma autonomia mais consciente frente as nossas emoções e ações, auxiliando a segurar os impulsos e acalmando nosso sistema nervoso. Quando somos atravessados pelos afetos é neurologicamente improvável tomarmos decisões coesas com o que de fato consideramos ético na situação, enquanto não conseguirmos tirar nosso sistema nervoso do estado alterado que o afeto estabeleceu.
Diferente do movimento de reprimir os impulsos e as emoções, essa prática promove o fortalecimento da tolerância e da habilidade de suportar os próprios afetos, para então ser possível observa-los e cuida-los de um lugar mais íntegro e em relação com o todo. Assim, podemos transformar nossas atitudes reativas em ações conscientes e escolhas coerentes com o que de fato queremos construir em nossa vida.
Mas, como sempre deixo bem claro para as pessoas, não é na hora da ansiedade que treinamos técnicas respiratórias! Esse é um treino que precisa ser realizado com comprometimento no dia a dia. No início é recomendável que a prática seja guiada por um profissional para melhor entendimento das técnicas, parece simples, mas dedicar um tempo diário para prestar atenção a respiração é um conhecimento que não acessamos a milênios.



