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Quais ferramentas você possui para lidar com sua humanidade?

  • Janaína Liz Aquino
  • 6 de mar. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 9 de mai. de 2025

Quem é você com e sem suas máscaras sociais?
Quem é você com e sem suas máscaras sociais?

Uma das coisas que mais me chamam a atenção na clínica é o desconhecimento que temos, no geral, sobre a nossa própria humanidade e o que significa ser um humano. Tão adaptados as rotinas do nosso dia a dia, aos papéis e sistemas sociais, esquecemos ou, pior, quase nunca acessamos o conhecimento necessário para lidar com questões básicas de manutenção de nossa humanidade. Quanto mais distantes estamos de nossa própria natureza, mais distantes também estaremos de saber como colaborar com a saúde e o equilíbrio de nosso ser.

É fácil perceber o quanto padrões normalizados em nossa cultura e a forma automática de funcionamento nos adoecem, de modo que o primeiro passo é questionar nossa régua do que achamos normal e o que de fato atende as nossas necessidades reais. Nossa cultura não incentiva que sejamos autônomos e independentes na manutenção de nossa saúde, o avanço da tecnologia trás resultados muito positivos, mas por outro lado também nos mantem dependentes de uma terceirização no lidar com nossa humanidade, que muitas vezes apenas atende uma demanda do capitalismo e não de fato nossas necessidades essenciais.

Ser humano é compreender-se em todas as esferas que nos compõem, não é a toa que somos considerados seres bio-psico-sócio-culturais-ambientais-espirituais, o que significa que temos uma complexidade de fatores para lidar, apenas pelo fato de existirmos em um corpo humano. A falta de conhecimento e ferramentas para isso torna ainda mais complexo o nosso desenvolvimento, enquanto não entendemos o que nos equilibra jamais saberemos como é o funcionamento equilibrado de nossa energia e, por isso, temos dificuldades em acessarmos a sensação de ter ela disponível para nossas realizações.

O processo de individuação proposto por Jung, de tornar-se quem se é, é apenas possível quando nos dispomos a nos compreender, tarefa que começa respondendo perguntas básicas como: o que significa existir como um ser humano? Qual é o meu papel na manutenção da vida? Inclusive da minha própria? O que devo fazer para que meu corpo, mente, emoções e espirito encontrem fluidez suficiente para que minha vida se desenrole?

Desenvolver ferramentas para lidar com sua humanidade pode indicar, por exemplo, a necessidade de conhecer melhor o funcionamento do seu corpo e como preserva-lo (afinal ele é o veiculo que permite você estar vivo!), de modo a investigar como se deve executar de maneira coerente as atividades físicas, a alimentação, a limpeza e o manejo do corpo. Além de conhecer quais particularidades devem ser cuidadas, por conta da genética e da fisiologia particular de cada um. Ou também, se atentar a como expressar e descomprimir as próprias emoções para que seja possível visualizar com clareza as situações de vida e fazer escolhas adequadas ao que realmente faz sentido para você. Ou ainda, como observar e manejar a própria mente, ajustando o foco mental para a direção daquilo que realmente quero colocar minha energia.

Por outro lado, também temos a necessidade de conhecer como funcionam as nossas sociedades, principalmente a cultura a qual estamos inseridos, pois essas configurações atravessam a maneira que somos significados pelo outro e por nós mesmos. De todo modo, a ferramenta principal que se torna um pilar básico para todas as outras é o autoconhecimento, que dependerá da disposição para si mesmo, da curiosidade frente a vida e como a sociedade funciona, e do desejo em construir um caminho que faça sentido caminhar.


E aí, você está bem equipado para lidar com sua própria humanidade ou reconhece que é um desconhecido para si mesmo?

 
 
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