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Arteterapia

  • Janaína Liz Aquino
  • 6 de mar. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de mai. de 2025

pintando

Você lembra quando era criança e apenas se divertia com as cores surgindo no papel ao desenhar ou pintar alguma imagem? Naquele momento você estava ativando seu sistema parassimpático, se propiciando relaxamento e focando sua atenção na atividade. Fazendo o que em psicologia chamamos de integração psicofisiológica: exercitando ao mesmo tempo sua cognição, suas emoções e o seu corpo. Que pena que deixamos a relação com a expressão criativa apenas na infância, pois essa simples atividade nos permite acessar um estado de fluxo e conexão que nos relaxa e da vasão aos nossos conteúdos internos.

Esse estado pode ser praticado de diversas maneiras: com colagens, pinturas, desenhos, escritas, danças, movimentos corporais, modelagens, esculturas, costuras, cerâmicas, cantos, instrumentos musicais, etc. O ponto principal é que o exercício da expressão artística enquanto uma terapêutica consciente nos permite o acesso a outros estados interiores, tanto mentais, quanto emocionais e corporais. Como falamos em neuropsicologia, evoca a ativação da neuroplasticidade cerebral, isto é, da capacidade de estabelecer novas pontes sinápticas, acessar novos insights, percepções, sentimentos e sensações sobre a nossa realidade.

A arteterapia começou a se desenvolver em meados da década de 40 e continua seu crescimento ainda nos dias de hoje, na interseção com a psicologia. Artistas e psicólogos aos poucos foram observando e constatando o potencial transformador e curativo que a relação com a arte nos oferece. O processo criativo se configura como um meio, ou um veiculo, através do qual podemos estreitar a intimidade com nosso mundo interior e aprendermos a se envolver com nossa humanidade. Abrir-se para a expressão livre e construtiva de nosso ser nos conecta com a pluralidade humana, se permitirmos sermos atravessados pela arte sofreremos uma transformação significativa que torna a vida mais viva, leve e com espaço para o novo. Infelizmente, devido a associação do exercício da criatividade a objetivos comerciais, acreditamos que arte é apenas aquilo que pode se tornar um produto a ser vendido, confundimos a necessidade de nossa psique em se expressar com a produção cultural que visa um capital.

Sem a relação monetária e a avaliação profissional artística é como se a arte não tivesse valor, nesse movimento acabamos por nos privar dessa forma orgânica disponível dentro de nós para auto regulação e relaxamento. Assim, se ousarmos brincar com as cores, os materiais, as formas e as imagens como uma prática sem expectativas de lucros, podemos experimentar, como afirma Alexandra Duchastel, uma arteterapeuta francesa, a medicina natural da alma se manifestar.

A arteterapia tem como objetivo o resgate do exercício da criatividade como algo organizador do mundo interno e de adaptação no mundo externo, com suas funções pedagógicas e de descompressão emocional. De acordo com Duchastel, justamente por permitir tornar visível os movimentos da psique e fornecer, assim, a ocasião de entrar em um diálogo com as imagens íntimas e de melhor compreender o que se passa no mais profundo do ser. Entretanto, é importante destacar que apenas a execução de atividades criativas não se caracteriza como arteterapia, pois esta terapêutica necessita ser guiada e direcionada por um profissional qualificado no auxilio dessa jornada interior e de mediar a interlocução com os símbolos que surgem do diálogo com o inconsciente de maneira adequada.


E aí, já pensou em se abrir para processos criativos artísticos? no mais profundo de si

 
 
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