Arteterapia e psicoterapia
- Janaína Liz Aquino
- 3 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de mai.

A psiquiatra brasileira Nise da Silveira, que foi aluna de C. G. Jung, já utilizava no final dos anos 40 recursos de expressão artísticos como ferramentas para reorganizar a psique de seus pacientes. Ela percebeu que dar vasão as emoções através da arte aliviava o sofrimento e a tensão psíquica, além de provocar o surgimento de insights e novas perspectivas sobre a vida. Assim, Nise concluiu que o exercício criativo enriquece a qualidade de vida das pessoas.
Jung, ao elaborar sua teoria psicológica, reconheceu a função simbólica que vem da faculdade imaginativa da psique como instintiva e de suma importância para os movimentos homeostáticos do nosso organismo, ou seja, a importância da expressão criativa para a regulação interna. Em outras palavras, o valor da união das terapêuticas da psicoterapia pela fala e da arteterapia como tratamento psicológico.
O beneficio de explorar nossa inteligência criativa com a arte se estabelece na medida em que ela se configura como uma atividade que facilita a harmonização e a integração entre corpo, mente e emoções (integração psicofísica). Aspecto que a torna naturalmente restauradora da nossa saúde. Além disso, é uma ótima ferramenta de autoconhecimento, visto que podemos conscientizar os significados dos símbolos trazidos a luz pelo processo criativo.
Ao longo da história de desenvolvimento do capitalismo, a nossa sociedade contemporânea foi perdendo a valorização dessas produções criativas como ferramentas de manutenção do nosso equilíbrio psíquico e neurofisiológico, na medida em que a arte e a produção artística se tornaram um produto do sistema. Quando consideramos inútil dedicar tempo as coisas que não geram lucro de capital acabamos também por desconsiderar essas ferramentas disponíveis a nós (nossa própria criatividade!), como praticas importantes de serem cultivadas. O que paradoxalmente interfere na nossa produção e rendimento, pois como vamos fazer isso com uma saúde mental desequilibrada?
Dessa maneira, observa-se que a psicoterapia e a arteterapia caminhando juntas no processo de tratamento psicológico permitem a vasão e o acesso a camadas profundas da psique, auxiliando na elaboração de conteúdos que talvez apenas na terapia com a fala demorassem muito para chegar a consciência. Além disso, a arte enquanto recurso didático no tratamento impossibilita ao ego negar o que esta sendo trazido a expressão, o ensinando de maneira pedagógica a como se situar no diálogo com o inconsciente e o próprio mundo interno, permitindo de forma mais concreta a abertura para novas relações consigo mesmo e a própria personalidade. Aspecto que se reflete, em outro momento, na postura frente a vida.



